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Gênero, sexualidade e cuidado psicológico

Uma psicoterapia atenta às experiências LGBTQIA+, sem reduzir a pessoa à sua identidade e sem tratar gênero ou sexualidade como problema em si.

Carolina Franco Brito12/06/2026
Sala de atendimento acolhedora, com duas poltronas, uma planta e luz natural pela janela

A psicoterapia pode ser um espaço para trabalhar sofrimento, relações, corpo, identidade, escolhas e momentos de vida. Para pessoas LGBTQIA+, esse processo muitas vezes envolve uma questão adicional: a necessidade de encontrar uma escuta que não trate gênero ou sexualidade como problema em si.

Na Íris, gênero, sexualidade e identidade podem aparecer no atendimento quando forem importantes para a sua história. Mas eles não precisam ser o motivo principal da procura. A terapia também pode ser sobre ansiedade, tristeza, família, trabalho, relações, luto, dúvidas, mudanças ou qualquer outra questão que esteja pedindo cuidado.

A proposta é oferecer uma clínica atenta a essas experiências, sem reduzir a pessoa a uma identidade.

Por que isso importa na psicoterapia?

Nem todo sofrimento nasce apenas de conflitos individuais. Muitas vezes, aquilo que aparece como ansiedade, vergonha, medo, culpa, cansaço ou sensação de inadequação também se relaciona com o modo como uma pessoa foi recebida, nomeada, silenciada ou julgada ao longo da vida.

Questões de gênero e sexualidade podem atravessar a família, os vínculos afetivos, o trabalho, a escola, a relação com o corpo, a espiritualidade, os projetos de futuro e a forma como alguém se sente autorizado a existir no mundo.

Por isso, uma clínica atenta a essas dimensões parte da escuta sobre como sua história foi sendo construída, quais sofrimentos se colocam hoje e que caminhos podem ser elaborados no processo terapêutico.

O que significa uma escuta afirmativa?

Uma escuta afirmativa não significa conduzir a pessoa para uma identidade específica, confirmar respostas antes que elas sejam elaboradas ou transformar a terapia em um espaço de validação automática.

Significa, antes de tudo, não tratar orientação sexual, identidade de gênero, expressão de gênero ou experiências corporais como erro, desvio ou diagnóstico.

Na prática clínica, isso implica acolher perguntas, ambivalências, conflitos, desejos, medos e mudanças sem presumir que existe um caminho correto a ser seguido. A afirmação, aqui, não é uma pressão para definir quem você é. É a recusa de transformar sua existência em problema.

A terapia precisa ser sobre gênero ou sexualidade?

Não. Uma pessoa LGBTQIA+ pode procurar psicoterapia por muitos motivos.

Gênero e sexualidade podem aparecer no processo se fizerem parte da sua demanda, mas não precisam ocupar o centro da terapia. A diferença é que, quando essas questões aparecerem, elas não precisarão ser escondidas, justificadas ou traduzidas para caber em uma norma.

O que dizem as orientações éticas da Psicologia?

A Psicologia brasileira tem compromissos éticos importantes nesse campo. A atuação profissional deve se orientar pela dignidade, liberdade, igualdade e integridade das pessoas, sem práticas discriminatórias ou formas de indução moral, religiosa, ideológica ou sexual.

Também há normativas específicas do Conselho Federal de Psicologia que orientam uma prática não patologizante diante da diversidade sexual, das transgeneridades e das travestilidades.

Isso significa que gênero e sexualidade não devem ser tratados como algo a corrigir, reverter ou normalizar. O trabalho clínico deve estar comprometido com a promoção de saúde, autonomia, responsabilidade técnica e enfrentamento de práticas discriminatórias.

O que este atendimento não propõe

Este atendimento não propõe corrigir gênero ou sexualidade. Não trabalha com cura, reversão, adequação a normas ou promessa de uma identidade final.

Também não se trata de apressar decisões, oferecer respostas prontas ou transformar toda questão da vida em tema identitário.

A clínica é um espaço para elaborar, com cuidado, aquilo que se apresenta como sofrimento, dúvida, conflito ou desejo de mudança. Em alguns momentos, gênero e sexualidade estarão no centro. Em outros, serão apenas uma parte da história. Em ambos os casos, poderão ser acolhidos com responsabilidade.

Carolina Franco Brito

Quem escreve

Carolina Franco Brito

Psicóloga, mestre e doutoranda em Psicologia pela UFSC · CRP 12/18469

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Carolina Franco Brito · CRP 12/18469

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